Tulio Paschoalin Leao

Uma ode ao nosso pequeno basquete

· Tulio Paschoalin Leao · 4 min

Minha esposa e eu tivemos o privilégio de visitar Seattle, nos EUA, há alguns meses para comparecer ao casamento de alguns amigos queridos. Enquanto a maioria das pessoas tentariam espremer o máximo de pequenas viagens possível, nós decidimos aproveitar tudo o que a cidade tinha a oferecer pelos próximos 7 dias1.

Os playoffs (“mata-mata”) da WNBA estavam rolando e o Seattle Storm receberia o Las Vegas Aces em alguns dias para o segundo jogo da série, com o primeiro tendo sido uma vitória esmagadora do Aces. Compramos os ingressos e fomos para a Climate Pledge Arena, já que queria que a Letícia vivesse a “experiência esportiva norteamericana”2. De fato foi a experiência completa: camisetas temáticas, show do intervalo, sons de animação que cantamos até hoje3 e uma virada emocionante do Storm para ganhar o jogo e empatar a série4! Foi empolgante, queríamos mais e prometi à Letícia que assistiríamos um jogo local quando voltássemos ao Brasil5.

Alguns meses depois, lembrei planejei de assistirmos a uma partida entre o Minas e o Pinheiros6 pelo Novo Basquete Brasil (NBB). É perto o suficiente da nossa casa para caminharmos e o preço do ingresso é de apenas R$20, metade do ingresso do cinema7. Claro que o basquete no Brasil não tem o mesmo prestígio do futebol, mas ainda assim é a liga profissional e o preço pareceu uma pechincha, especialmente para famílias em busca de entretenimento.

Fomos até o jogo e a atmosfera era tranquila: a arena pode receber até 4400 pessoas, mas o narrador disse que haviam cerca de ~800 ali e com os torcedores espalhados e não muito fanáticos, não estava fácil para ele de empolgar todos a gritar os cânticos para apoiar o time8. Mesmo assim alguns elementos de espetáculo estavam presentes: os jogadores eram anunciados e entravam em quadra em meio a um pequeno espetáculo pirotécnico, havia alguns efeitos sonoros de tempestade (já que o time é o Minas Storm, ou seja Tempestade9), um telão e até uma pequena bateria.

O jogo começa e é nostalgia instantânea para mim, já que com frequência íamos até esse clube para jogar amistosos ou pequenos torneios quando crianças. A cada jogada, uma diferente memória me vêm à cabeça de uma das muitas célebres frases do nosso querido treinador à época, Careca:

Não para de quicar a bola se não tiver pensado no que vai fazer!

Se for pra bandeja pela esquerda e mudar pra mão direita, vou te substituir!

Fecha o rebote!

Não atravessa a bola por cima!

E muitas mais. É inquestionável que o jogo não tem o mesmo nível de um da NBA, ainda assim nos entretém bastante: em vez das enterradas explosivas, temos a marcação de quadra inteira10. Sem competições de intervalo para ganhar um grande cheque, em vez disso um cara amigável distribuindo a bola para o público e o desafiando a acertar a cesta de onde estão.

Percebo que não é uma competição acerca de que país tem o melhor basquete, é apenas sobre ter bons momentos com quem gosto, então voltamos para casa culpando os jogadores que fizeram as jogadas erradas, comentando os momentos engraçados e planejando ver outro jogo dali a dois dias11.

Imagem gerada por IA com a descrição “An illustration of a big humanoid pine tree (treant-like) dunking a basketball over a humanoid fox dressed in blue jersey and a jaguar dressed in white and blue jersey.” usando o ChatGPT.


  1. Ao custo de muitos dólares estadounidenses 💸. ↩︎

  2. Tive a chance de assistir à jogos da NBA e NHL em viagens anteriores, mas a NFL ainda está na minha lista de desejos. ↩︎

  3. “Eeeeverybody clap your hands: 👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼” ou “toooodo mundo bata palmas”. ↩︎

  4. Elas acabaram perdendo o terceiro jogo e sendo eliminadas, mas acontece que o Aces é um dos melhores times da atualidade e acabaram vencendo o campeonato! Na verdade, o Aces foi o campeão em 3 dos últimos 4 anos. ↩︎

  5. Faço um esforço ativo para realizar as mesmas atividades na cidade onde moro que faço quando viajando. Claro que não consigo ir à praia em Belo Horizonte, mas não quero ser o hipócrita que passa 3 dias visitando museus no exterior e não consegue ir em um por ano em BH. ↩︎

  6. Cuidado, páginas da wikipedia gravemente desatualizadas 🥲. ↩︎

  7. E 10 vezes mais barato que o jogo da WNBA! ↩︎

  8. Especialmente o “everybody clap your hands”, que ouvimos com surpresa. Não é de se espantar que poucos reagem, já que o áudio é tocado em inglês. ↩︎

  9. Acabei de perceber que eles têm o mesmo nome que a equipe de Seattle’s hahah. Serendipidade? ↩︎

  10. Algo que raramente se vê na NBA, salvo em poucos jogos dos playoffs↩︎

  11. E fomos, Cruzeiro contra Pinheiros, e o Pinheiros ganhou outra vez. ↩︎

#crônicas

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